No passado, o Brasil parava antes do Natal e s recomeava depois do Ano Novo. Mais tarde, a retomada passou para o Carnaval. Agora  aps a Pscoa. Logo logo, vai ficar para depois da Copa do Mundo. Com um agravante: se vencermos, sero mais uns dez ou 15 dias para as celebraes e comentrios; se perdermos, outros tantos para amargar a derrota e fazer as crticas.

E assim vai. Depois da Copa, viro as supereleies em dois turnos, o que, na prtica, "mata" setembro, outubro e novembro. E a, chega outra vez a hora de nos prepararmos para as festas de Natal e Ano Bom, pois ningum  de ferro...

Para quem no gosta de trabalhar, este ano de 1994  um prato cheio. Ele rene, num s tempo, as melhores justificativas para adiar tudo para 1995 e olhe l...

A reviso constitucional est nesse ritmo. Raramente h qurum e, quando isso acontece, falta a vontade de votar. Bem diferente foi a conduta do deputado William Natcher, falecido na semana passada. Durante 40 anos de mandatos consecutivos, ele no faltou uma nica vez s sesses do Congresso dos Estados Unidos.

O mais interessante  que o deputado Natcher conseguiu se reeleger, repetidas vezes, desde 1953, visitando muito pouco as suas "bases" no Estado de Kentucky e gastando a irrisria quantia de US$ 10 mil por campanha. Com isso, ele provou que as tais bases gostam de ver os seus representantes trabalhando em benefcio da coletividade l no Congresso, no havendo a menor justificativa para faltarem ao seu trabalho. Uma vez presentes, ativos e atuantes, o reconhecimento  imediato. A reeleio  garantida. E com pouco dinheiro.  o triunfo dos que fazem sobre aqueles que falam.

A maioria dos nossos parlamentares est demonstrando no querer a reviso constitucional. Para eles, os problemas da ptria no merecem regime de urgncia. S os pessoais. Se quisessem tudo seria votado rapidamente como o fizeram na aprovao do aumento de seus vencimentos. Os interesses pessoais falam mais alto do que a estabilizao da moeda, a retomada do desenvolvimento, a criao de empregos etc.

Por essa razo, "enrolar" a reviso tem sido a palavra de ordem que os gigols de partidos vm passando aos seus vassalos.  dessa forma que eles pretendem sabotar a resoluo dos nossos problemas para fazer crescer a sua candidatura no meio do caos.

Tudo isso pode at ser lgico. Mas, os que assim agem, ignoram que o eventual fracasso do plano econmico jogar este pas na mais pavorosa hiperinflao. Sem reviso, no haver plano econmico  verdade. Mas correremos o risco de no haver tampouco eleies e regime democrtico. Tudo ir para o espao. E quem responder por mais essa irresponsabilidade?
